segunda-feira, 20 de agosto de 2007

VERBD: 5º EPISÓDIO: 26 Agosto 2007, RTP2 - 14h30

A pedra de fecho do VERBD é ainda uma obra em construção...

O quinto e último episódio do programa VERBD abre com alguns apontamentos, pelas intervenções de João Paulo Cotrim e Leonardo De Sá, sobre a memória que se cultiva em Portugal, sobretudo aquela que diz respeito à continuidade e andamento da banda desenhada.
Uma das formas de contributo para essa memória é o esforço do próprio programa, claro está. Uma outra é a via do ensino, que não só passa conhecimentos do fazer como do sabr que compõem esta área expressiva e criativa. Assim sendo, apresentam-se quatro das experiências de ensino da banda desenhada mais consolidadas do país:

Marcos Farrajota explicita o trabalho que tem desenvolvido em mais de dez anos em variadíssimos workshops que tem organizado, ou onde outros convites o levam. Têm sido dirigidos a pessoas de todas as idades, quer desde crianças de tenra idade a adultos que nunca o experimentaram, e com uma vocação particular para primeiras experiências, e naproximações pedagógicas divertidas. Mais informações, aqui.

José Pedro Cavalheiro tem sido o mentor principal dos cursos ministrados na Fundação Calouste Gulbenkian (CITEN) que recentemente se "mudaram" para a FBAUL (passando a chamar-se CIEAM). Há aqui um manancial reunido de grande conhecimento, quer em termos técnicos, artísticos e expressivos, como de uma grande preocupação pedagógica aberta e sensível ao desenvolvimento das aptidões pessoais. Mais dirigido a quem tem algum domínio no desenho (ou outras disciplinas análogas), despertam-se aqui muitas das especificidades da banda desenhada. É desses cursos e os seus propósitos que Zepe fala.

O Ar.Co é uma das escolas artísticas mais respeitadas em Lisboa, e tem um curso de banda desenhada e ilustração também pautado pela excelência da instituição. Os vários intervenientes, todos agentes e activos nessa cena de uma grande qualidade, conseguem fazer com que os discentes desenvolvam as suas capacidades com uma grande atenção para com as possibilidades reais de trabalho no "mercado" existente. É Jorge Nesbitt o seu director.

Mais recentemente, no ano lectivo de 2006-2007, a Escola Superior Artística do Porto - extensão de Guimarães, estreou a primeira licenciatura em banda desenhada e ilustração em Portugal. Contando com uma sólida distribuição de unidades curriculares em torno dos aspectos mais importantes destas áreas quer de um ponto de vista pragmático quer de uma perspectiva mais teórica, é seu objectivo contribuir para uma nova geração informada e especificamente dedicada à criação de banda desenhada. Isabel Carvalho, aqui na qualidade de directora desse mesmo curso, fala-nos aqui desse desafio.

Todos estes cursos, uns mais longos que outros, outros mais novos que outros, todos diferentes nas qualidades entre si mas igualando nos seus níveis, produziram muitas publicações, de fanzines a álbuns, livros de exercícios e sites, etc. Mostramos, saindo das malas e mochilas escolares, algumas dessas experiências.
X-X-X-X
Como não poderia deixar de ser, reservamo-nos ao direito de, neste último episódio, tecermos algumas conclusões e apontamentos sobre o objecto que aqui nos trouxe e sobre o programa em si.
Em "Discurso do Método" explicamos o que se obteve com este programa televisivo, que julgamos de uma importante carga pedagógica junto do grande público, e ainda o facto, que não deve deixar de ser sempr sublinhado, que este panorama ou perspectiva que se criou é uma das muitas que poderiam ter sido criadas. Parece-nos que esta era a que mais se adequava aos nossos propósitos, de equilíbrio, dignidade e honestidade intelectual para com a banda desenhada contemporãnea (e não só) portuguesa. Esperemos que surjam outras, pois só no diálogo é que uma arte de fortalece. Em "Post-Scriptum", revelamos algumas das "pontas" que não foram possíveis desenvolver nos programas, pelas óbvias limitações do formato em si.
Existem em projecto, quem sabe terão vida pública...
Nota: repete à 1h00 do dia seguinte (Segunda, 27). O episódio passou nos primeiros minutos num formato "esborrachado", e o cartão publicitário da livraria Dr. Kartoon foi cortado (tal como parte do da cafetaria do Chiado). Esses problemas técnicos são da inteira responsabilidade da RTP2. As nossas desculpas pelos mesmos.

6 comentários:

Daniel disse...

Olá,

Procurei o teu mail por esse Google fora, e como não o encontrei decidi escrever-te aqui mesmo.
Apesar de começar por lançar uma ovação ao VerBd, venho aqui apontar uma pequena imprecisão à atribuição de autoria do fanzine "Mitos e Crenças de um Povo": não foi editado pelo João Cabaço mas por mim. O João Cabaço é o editor do fanzine Notibó e, fora a publicação "Do Acidente e da Culinária" pela CCC, penso que nunca editou nada fora dessa chancela.
Imagino, no entanto, qual o trajecto desta pequena confusão: O "Mitos e..." terá chegado às tuas mãos via Alberto, embrulhado nuns quantos Notibós. Como o trabalho de preto e branco tem, de facto, as suas semelhanças, isso ter-te-à trocado as voltas.

Sem mais assunto,
Um abraço das Caldas.

P.S.- Já agora aproveito para perguntar se me vai ser possível, e onde, ver novamente os primeiros filmes.

Flashfinger disse...

Olá, Daniel.
Obrigado pelo "louvor" e as minhas desculpas pelo erro feito, que assumo: erro meu, más fortunas... De facto, o "Mitos e Crenças de um Povo" fazia parte de uma pilha de fanzines que me chegou às mãos quando vivia nas Caldas da Rainha, misturado com os do João Cabaço. Algunas afinidades estilísticas e a ausência de informações directas da autoria, edição, etc. (um certo tom misterioso) ter-me-á induzido nesse erro, que de qualquer modo poderia ter sido evitado com uma breve conversa ou telefonema.
Assim sendo, além de assumir o erro, aponto o site do seu autor, excelente: http://khalinomiconee.no.sapo.pt/Factemdia/Factemdia.htm
Mais, fica a promessa que num próximo avatar do programa, em livro ou DVD, por exemplo, tentarei corrigir essa informação. Mesmo que se repita o programa, também o erro se repetirá, infelizmente.
Obrigado pela compreensão de todos, e sobretudo do autor. As minhas desculpas, mais uma vez.
Pedro Moura

Flashfinger disse...

Caros interessados,

Não temos poder para conseguir uma repetição do programa, mas os telespectadores sim. Os interessados poder-se-ão dirigir a este link:
http://www.rtp.pt/wportal/participe/formulario.php
e deixar os seus comentários, louvores ou ofensas ao programa, instindo junto à RTP a repetição do programa (e num horário diferente, melhor).
Em todo o caso, está a ser estudada a edição em DVD, mas teremos de aguardar desenvolvimentos.
Obrigado.

Pedro Moura

MEG disse...

Neste último episódio aparecem duas publicações que parecem ser sobre metodologia do ensino de banda desenhada. Estão à venda? Onde? Poderiam dar as suas referências bibliográficas? Existem outras publicações portuguesas semelhantes?

Já agora: obrigada pelo programa VerBD.
Obrigada, também, pelos esclarecimentos quando vierem.

Marina

Flashfinger disse...

Se não estiver em erro, serão os livros publicados pelo CIEAM/CITEN. Apenas um é pedagógico, sendo publicado pela Fundação Calouste Gulbenkian. O outro é intitulado Memórias 10, também da Gulbenkian, mas reunindo trabalhos de banda desenhada.
Em Portugal, aconselharia ainda um pequeno volume editado pelo CNBDI da Câmara Municipal da Amadora, da autoria de Pedro Mota e Teresa Maria Guilherme, intitulado "A Linguagem da BD". Existem outras publicações, mas talvez mais difíceis de obter ou menos apropriadas. Em termos internacionais, a escolha é sem fim, e depende do que se procura exactamente. Espero ter sido de alguma ajuda.
Pedro Moura

Figue disse...

Ei Flashfinger somos da mesma zona, na volta ainda somos vizinhos :)

Eu vi todos os episodios do Ver BD, os estilo de arte apresentados no programa não fazem muito o meu genero mas ficou a iniciativa.