quarta-feira, 18 de julho de 2007

Os autores: Filipe Abranches


Filipe Abranches publicou quatro histórias na revista LX Comics. Se formos confrontados com esses quatro trabalhos mas sem essa informação, ficaríamos surpreendidos terem sido criadas pela mesma mão. Na verdade, o único elemento em comum é de facto o nome do autor. Essa capacidade "camaleónica" (um frase empregue repetidas vezes) seria e é a característica maior que pauta os trabalhos de Filipe Abranches, que se apresentam desde as histórias mais curtas a livros maiores, ora portentosos como a História de Lisboa (com o recentemente falecido historiador Oliveira Marques) ora de uma estranha e fantasmagórica intimidade, como a adaptação de uma novela de Raul Brandão, O Diário de K.
Paulatinamente, o seu estilo geral - ao mesmo tempo que atravessa toda a espécie de experiências gráficas, de figuração, de cor, de fôlego, de ambiente - desenvolveu-se numa direcção cada vez mais livre, impressionista, até mesmo desagregada, o que revela uma procura por um maior balanço pela veia autoral, em detrimento de uma aproximação ao grande público, habituado à banda desenhada como "meio escapista" ou "entretenimento". Filipe Abranches, com a sua obra, tem contribuido para que a banda desenhada portuguesa seja mais madura, forte em termos estéticos, e capaz de dialogar com quaisquer outras áreas de criação (haja vontade) ou produções internacionais.

3 comentários:

crumb disse...

o Filipe sim, grande ilustrador.
não percebo o que faz aí o luis henriques, o gajo publicou dois livrecos...

Flashfinger disse...

A selecção pretende-se equilibrada segundo o cruzamento de vários parâmetros. A quantidade de livros publicados não é um deles. O Luís henriques publicou "apenas" dois livros, sem dúvida, mas a qualidade de ambos ultrapassa em vários aspectos uma estante de outros que preferem apostar numa linguagem mais conformada.
Não concorda?
Pedro Moura

crumb disse...

não.